domingo, 15 de maio de 2011

Leve, leve...

Leve pluma

Alma canta

Corpo sorri

Volta

Alegria, alegria

Outono solar

Abraços fortes

Peito escancarado

Portas arrombadas

Desbrava, desbrava

Plenitude, beleza

Brilho, brio, cego ego

Sopro leva

Volúpia viva de vida

Corre e grita

Anuncia a volta

Pra nunca mais

Mais e mais e vai e faz e paz...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A flor da pele murchou

Abismo intransponível.

Limbo vazio.

Sem cor, sem dor, sem gosto...

Sem nada.

Conhecido estranho.

Toque sem corpo.

Pêlo sem pele.

Frio sem arrepio.

Vagas palavras.

Sensações ao léu.

Não vem mais.

Não é mais.

Ficou pra trás.

A flor da pele murchou.

As folhas se foram no outono.

O céu abriu num dia de frio.

Frio da alma.

Desliza ladeira abaixo.


04/05/11

Fazer o quê?

E vai fazer o quê?

Resistir?

Sucumbe ao desejo vadio,

deixar ir,

esvair.

Forte pluma suave,

escorre, socorre.

Faz forte o fraco do simples,

o acaso do complexo forte.

E morre, decorre,

sufoca o encanto da ilusão,

deseja o corpo do coração,

Aliás, se vai em vão,

volta e recorre,

estorna e explode,

Vem e vai no compasso sem passo,

descompasso do espaço.

Tempo insano.

Presente mundano.

Espreme o pano,

e entra pelo cano.


23/04/11

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Certo dia fizeram a seguinte pergunta pro Saramago:
"Você já tem tudo na vida, fama, dinheiro, amor. O que mais você gostaria de ter?"
E ele responde no auge dos seus 85 anos:
"Tempo. Tempo pra viver."

Não tenha pressa, mas também não perca tempo.
A vida é agora, o momento é hoje.
A felicidade é um estado, um instante.
Tem que aproveitar e se permitir.
O tempo passa, não nos damos conta.
É tarde e o tempo não volta.
O que seria, nunca foi e não será.
Passou...


Quem falou que felizes são as mulheres casadas e os homens solteiros?

domingo, 24 de outubro de 2010

Chega!

Quanto mais fere, mais se deixa machucar
A dor, não deixa a ferida fechar
A palavra que rasga o peito
A verdade que lancina a alma
A insistência que tem que parar
É chegada a hora de saber perder
de entregar os pontos
A fé é cega e a faca é amolada
Corta tudo e deixa o tempo levar
pra qualquer lugar
pra longe daqui
pra fugir, pra sair
não precisa procurar
ele vai te encontrar
deixa o caminhar te seguir
deixa o novo fluir
e foge daqui, foge daqui...


chega de dar murro em ponta de faca...


sábado, 2 de outubro de 2010

Drogas pesadas: o vício

Sabe vício por drogas pesadas?
Você resolve experimentar mesmo sabendo que vai fazer mal
Gosta, curte, fica alucinado, em estado de êxtase
Quando passa o efeito você fica numa pior
Mas você acha impossível viciar
Experimenta outras vezes que é maravilhosamente incrível
O efeito se vai e as coisas pioram
Decide largar
Fica super bem com essa decisão
E por um tempo você acha que enfim está recuperada
Vem a abstinência
E você quer de novo de qualquer forma
Só sossega quando consegue
E quando usa de novo
Parece ser sempre melhor
Todo o ciclo recomeça
Chega uma hora que a dignidade começa a ir embora
E você se satisfaz com o mínimo
E cada vez mais, só faz mas mal
Chega no fundo do poço
Mas como fazer pra sair?
Você precisa de um trampolim, mas não acha
Fica ali no escuro, na penumbra, e não encontra o trampolim
Começa a achar que o mundo acabou
Que sem as drogas você não consegue mais viver
E espera pra ver o que vai acontecer, sem forças pra reagir

Assim é o dia a dia de amar você...